
1- O que é exatamente
a educação corporativa?
Educação Corporativa é toda e qualquer
ação intencional de capacitação
de empregados de determinada empresa/ organização/
corporação. A denominação “educação
corporativa” é mais recente denotando a evolução
da atividade de “treinamento” ou T& D –
Treinamento & Desenvolvimento, que a antecede. A rigor,
tanto uma como outra, podem assinalar a mesma coisa ou mesma
atividade ou área organizacional.
O termo Educação Corporativa, ou sistema de
educação corporativa, ou ainda Universidade
Corporativa, ganhou essa denominação quando
essa ação nas organizações passou
a ter um sentido próprio dentro das estratégias
de negócio especialmente para que a força –
de - trabalho pudesse responder o mais rapidamente possível
as grandes mudanças nas configurações
organizacionais com as fusões, aquisições,
downsizing, spin off e outras; nas redefinições
de posições no mercado; nas ênfases pela
agilidade, resultados e competitividade numa sociedade regida
pela velocidade de produção e disseminação
do conhecimento.
Essa conotação de “educação
estratégica” muda toda a sua razão de
ser, atenção e investimento das empresas. A
sobrevivência da organização que para
o trabalhador tem o impulso e impacto. Só que para
esse último no sentido da “empregabilidade”.
Compartilham empresa e empregado do mesmo objetivo: crescer
através da melhoria contínua do perfil e do
desempenho. Valendo tanto para a empresa quanto o trabalhador.
2- As empresas oferecem cursos
mais genéricos como leitura/português e matemática
ou são cursos mais técnicos?
Os cursos, ou ações educacionais estimuladas
(ex. comunidades de práticas; estágio interno;
seminários; eventos nas mais diversas modalidades
metodológicas ou mídias) fazem parte do portifólio
educacional da empresa. Cabem nessa lógica desde
os cursos de caráter técnico até os
de formação de executivos, vendedores e ainda,
o estímulo à educação formal.
Cabe ainda atender público interno – seus próprios
empregados; como demais profissionais da mesma cadeia produtiva,
sejam cliente, fornecedores e parceiros.
A única grande diferença dos sistemas tradicionais
é que nos sistemas mais modernos esse programa estará
sempre vinculado a um objetivo desdobrado da estratégia
da organização.
Assim por exemplo se o aporte de tecnologia no negócio
é visto com diferencial competitivo, ou ainda como
gap de competência organizacional, toda a programação
de educação e treinamento pode estar prioritariamente
voltada a esse fim. Se o gap se aprofundará com a capacidade
de profissionais da operação em absorver novos
entendimentos ou novas técnicas para lidar com a produção,
o ensino fundamental e médio poderá se constituir
em objetivo estratégico e a empresa envidará
esforços para promover o acesso e a aceleração
da escolaridade das empregados.
4- Isso é uma tendência?
Todas as empresas de grande porte já oferecem algo
nessa linha?
Vocês poderiam citar alguns cases interessantes de educação
corporativa?
Mais do que uma tendência. É um fato. Grandes
empresas mudaram todo a abordagem em gestão de pessoas.
O clássico DP pouco a pouco foi dando espaço
a modernas teorias em gestão de pessoas. A adoção
do referencial das competências revolucionou conceitos
e práticas, ampliando o conceito de cargo (do posto
de trabalho:caracterizado como uma lista pré-estabelecida
de atividades a serem cumpridas para posição
de trabalho: um espaço profissional para atualizar
competências individuais em níveis de complexidade
diferenciadas).
Com essa nova construção a educação
se transforma e passa a orientar a evolução
das pessoas estimulando o crescimento em carreiras e o autodesenvolvimento.
O crescimento em carreira – como rota de crescimento
- passa a ser aspiração e inspiração,
cortando muitas vezes vínculos de fidelidade entre
o trabalhador e a empresa.
As empresas que percebem tais anseios são as que mais
se preocupam com a retenção de seus talentos
e oferecem “trilhas” e “mapas” de
evolução perceptíveis, bem como valorizam
os sistemas de mérito criando ferramentas de gestão
de desempenho muito interessantes e associando desempenho
a programas de participação em resultados. Empresas
como Vale, Ernest Young, Claro, Vivo, Banco do Brasil, AMBEV,
Petrobrás, Natura, Isvor Fiat, Metro SP, Fetranpor
(RJ), Caixa Econômica Federal, Fundação
Unimed e Alcatel-Lucent. (para citar algumas).
Atualmente estima-se que mais de 300 organizações
brasileiras ou multinacionais, tanto na esfera pública
quanto privada, já implantaram e estão operando
seus Sistemas de Educação Corporativa.
5. Quando começou esse
movimento e porquê? Quais são as principais iniciativas
de educação corporativa no Brasil?
O marco de surgimento do tema no Brasil foi o lançamento
do livro da Jeanne Meister pela Makron Books em 99.
A primeira experiência de implantação
registrada foi a Academia Accor em 1992, na sequência
foram divulgadas a Universidade Martins do Varejo (1994),
a Universiddade Brahma (1995), a Universidade do Hambúrguer
do McDonald's (1997), a Visa Training criado em 1997 que originou
a Universidade Visa lançada oficialmente em 2001, em
1998: Universidade Algar, Alcatel University e o Siemens Management
Learning e em 99 a Boston School do Bank Boston e a Universidade
Datasul.
Em 2003, atento para este crescimento, o Ministério
de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
– MDIC, coordenou a primeira Oficina de Educação
Corporativa, cuja reflexão era “A Educação
Corporativa contribui efetivamente para o desenvolvimento
do país?”
Em 2004, foi fundada a Associação Brasileira
de Educação Corporativa – AEC Brasil tendo
em vista o expressivo crescimento das atividades de EC no
Brasil e com isso o surgimento de necessidades específicas
nesse âmbito.
Em 2004, é publicado o livro “Educação
Corporativa no Brasil: Mitos e Verdades”da Marisa Éboli,
que apresenta casos elaborados a partir de pesquisa realizada
junto a organizações que implantaram projetos
de Educação Corporativa no Brasil, propondo
um referencial teórico que contempla sete princípios
de sucesso para concepção de Sistemas de Educação
Corporativa: Competitividade, Perpetuidade, Conectividade,
Disponibilidade, Cidadania, Parceria e Sustentabilidade.
Em 2008 foi criado a primeira edição do Prêmio
Educação Corporativa, promovido pelo MDIC e
em parceria com a AEC Brasil.
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